
Depois de algum tempo nós nos separamos e ficamos deitados, de costas, enquanto nossas respirações se normalizavam.
Foi o Marcos quem levantou primeiro. Me deu um beijo e foi para o banheiro. Ouvi quando ligou o chuveiro.
Minha vontade era de tomar banho com ele. Fiquei na dúvida se deveria.
Resolvi arriscar. Levantei e entrei no banheiro.
Ao abrir a porta ele me olhou com surpresa.
- Posso tomar banho com você?
- Só se me esfregar todinho.
Eu sorri. Entrei na banheira,peguei uma esponja, coloquei bastante sabão líquido e o esfreguei todinho, da cabeça aos pés.
É verdade que, quando eu estava no meio do caminho, pude perceber o quanto ele estava excitado, mas, me fiz de desentendida. Estava cansada.
Depois do banho, Marcos se vestiu, me deu um beijo e saiu. Avisou que, se eu quizesse, poderia pedir as refeições no quarto, porque ia demorar um pouco.
Fiquei sozinha me perguntando o que poderia tomar tanto tempo em uma ilha. Juro que eu não queria pensar no assunto. Mas foi praticamente impossível. Me vesti e sai. Fui procurar meu amigo garçon.
Tomei um susto quando sai do meu quarto. Havia gente nua circulando pelos corredores. Homens com toalhas enroladas na cintura, outros totalmente nus; moças nuas ou só de calcinha andando tranquilamente como se estivessem dentro de um shopping. Todos, sem excessão, me olhavam com espanto. Me senti um ET. E olha que eu estava só com um shortinho e uma mini blusa!
Desci a escada e cheguei em uma das salas, juro que vi pelo menos dois casais transando ali mesmo! Assim, na frente de todo mundo.
Me dei conta de que, àquela altura do campeonato, táva tudo liberado.
Na cozinha a correria era a mesma. Ninguém prestou muita atenção na minha presença. Fiquei por ali durante um tempinho. Peguei uma fruta... pedi um copo de leite com chocolate. Um funcionário me serviu e depois me ignorou.
Passado um tempo, meu amigo não apareceu. Resolvi dar uma volta pela casa.
Andar por ali estava complicado. Tinha gente transando no sofá, na sala, nas piscinas. Gente nua circulando prá cima e prá baixo, mas eu não vi nenhum dos homens que havia visto no dia anterior. Imaginei que talvez estivessem no mesmo lugar onde Marcos deveria estar.
circulei por algumas salas, todas abertas. Finalmente passei por uma porta fechada. Havia um segurança ali perto. Sorri para ele e fiz menção de colocar a mão na maçaneta. Mais do que depressa ele se posicionou ao lado da porta e pediu desculpas. Disse que a sala estava sendo usada. Uma reunião, explicou.
Pedi desculpas, disse que queria pegar um livro.
Ele explicou que ali não era a biblioteca e me indicou o caminho certo.
Fui para a biblioteca. Demorei um pouco e depois sai.
Olha, confesso que sou uma mulher liberada e dona do meu nariz. Faço o que tenho vontade e do jeito que eu quero, mas aquele ambiente estava me deixando muito constrangida. Pensei sinceramente em tirar toda a roupa, assim não chamaria a atenção, com certeza.
Fui pro quarto.
Lá dentro eu me sentei no chão e fiquei olhando aquela mata exuberante do lado de fora. Vontade de sair prá dar uma volta, mas a coragem não chegou a tanto. Só de lembrar do susto do dia anterior ainda sentia uma contração no estômago.
Querem saber o que eu queria mesmo?
Ir embora.
É. Pode parecer loucura e, talvez aquele lugar fosse o paraiso na Terra para muita gente mas, para mim, já estava passando um pouco dos limites. Políticos conhecidos fazendo reuniões secretas... gente andando pelada prá todo lado... e transando na sala (no banheiro, na piscina, no corredor)... drogas e muita bebida.
Será que eu já disse que não bebo? Pois é. Táva me sentindo sem a melhor condição de fazer parte 'da turma'.
Vocês podem não acreditar, mas eu já estava considerando seriamente a possibilidade de sair dalí.
O problema, e eu sei que é um problema, é que sou muito impulsiva. A vantagem é que geralmente esses impulsos seguem uma forte intuição, e minha intuição funciona em 95% das vezes.
Não me lembro de quanto tempo fiquei sentada olhando aquela mata maravilhosa. Só percebi o avançado da hora quando meu estômago deu um 'rugido', de tanta fome. E eu mesma reconheço que não tomo as melhores decisões quando estou com o estômago vazio.
Liguei para o serviço de quarto e pedi o almoço.
Acreditam que havia opções?
Bom, não gosto de abusar da hospitalidade alheia, mas quem é que resiste à lagosta e camarão quando não tem que pagar a conta?
Pois é. Eu não resisti.
E ainda pude escolher de acompanhamento um suco de uvas brancas, para substituir o vinho.
Sabe, provei vinho uma vez, há muitos anos, um único copo. Não gostei da sensação de não ter o controle do meu corpo. Então, levando em consideração o lugar e a situação, achei melhor ficar com todos os sentidos bem despertos.
Mas, prometo à mim mesma que qualquer dia desses, na companhia certa, vou me entregar à sedução de uma taça de vinho... e depois, seja o que os deuses quizerem.
Bom, depois de muito bem alimentada, meus pensamentos já estavam mais organizados.
Eu realmente decidi ir embora.
Aquela alienada da Fê havia dito que eu poderia ir embora quando quizesse.
Foi então que lembrei que nem havia recebido minha grana. Me perguntei se valia a pena continuar ali por dinheiro.
Comecei a juntar minhas coisas e colocar na mochila. Abri a gaveta do criado mudo e encontrei um envelope com meu nome. Apesar de surpresa, suspeitei que fosse o que imaginei num primeiro momento. E era. Mil e quinhentos reais, em notas de cem. Há muito tempo não via tanto dinheiro assim, juntinho. rsss....
Tinha pensado em ir até o quarto da Fê para perguntar pela grana. Agora não precisava mais.
Terminei de juntar minhas coisas e sai.
Encontrei algumas figurinhas no corredor, todos me olhavam de cima à baixo. Fiz cara de paisagem.
Fui até o heliporto onde havia desembarcado no dia anterior. Havia um helicóptero parado e o piloto estava por ali, conversando com um mensageiro. Pelo menos quanto à isso a Fê havia dito a verdade, só me restava saber se era só pedir e ir embora.
Ao me aproximar o piloto já veio em minha direção. Eu disse que queria ir para o continente. Ele simplesmente pegou minha mochila e me ajudou a embarcar. Em poucos minutos a gente já estava no alto. Senti um frio na barriga.
Quando estávamos chegando perto do litoral o piloto me explicou que iria me deixar em Angra. De lá outro helicóptero iria me levar para São Paulo.
Fiquei encucada. Ele havia conversado com alguém pelo rádio um pouco depois de levantarmos vôo. Será que haviam dito para ele me deixar em qualquer lugar? Confesso que fiquei com um pouco de medo.
Mas, chegando em Angra, fiz a 'baldeação' combinada e realmente me trouxeram para São Paulo.
Sabe, um lado meu me dizia que eu havia sido impulsiva e tola, mas quando abri a porta do meu apê, tive a certeza de que havia tomado a decisão certa. Acho que nunca me senti tão segura como quando fechei a porta.
Larguei a mochila por ali mesmo e sentei no meu sofazinho de algodão. Minha casa não é de luxo, mas é meu palácio.
Só então, já mais tranquila, é que pude ter a noção exata da imprudência que havia cometido. Ir para um lugar daqueles...
Daria uma matéria sensacional, até porque, pelo menos os homens que eu presenciei na ilha, eram políticos respeitáveis de projeção nacional e alguns empresários que aparecem com frequência na mídia.
Mas também reconheço que tive muita sorte... além do conselho da Fê. Porque eu realmente não seria bem recebida se tivesse dito que era jornalista.
Pensei na ironia. Uma matéria daquelas iria me render muito mais do que aqueles mil e quinhentos reais. Mas, quem iria acreditar?
Até você, que está lendo este texto, deve estar duvidando do que estou dizendo. Não poderia ser diferente, não é? Não posso provar.
Mas aquele dinheirinho está na minha conta. E já serviu para pagar algumas despesas bem reais.
Agora, se você pensa que essa história terminou aqui... engano seu.
|
|
|


 |
Meu Perfil BRASIL , Sudeste , SAO PAULO , JABAQUARA , Mulher , de 26 a 35 anos , Livros , Informática e Internet MSN - |
|
|
 |
|
|
|
|
 |
|
|
|
|
 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Visitante número:
|
|
|